sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Movimento Literário Barroco: Questões do Enem sobre o Barroco com Gabrito Comentado

Questões do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) sobre o Movimento Literário Barroco:
 
 

 
 

ENEM 2015 Q 110 Casa dos Contos

 
Casa dos Contos
& em cada conto te cont
o & em cada enquanto me enca
nto & em cada arco te a
barco & em cada porta m
e perco & em cada lanço t
e alcanço & em cada escad
a me escapo & em cada pe
dra te prendo & em cada g
rade me escravo & em ca
da sótão te sonho & em cada
esconso me affonso & em
cada claúdio te canto & e
m cada fosso me enforco &
ÁVILA, A. Discurso da difamação do poeta.
São Paulo: Summus, 1978.
 
O contexto histórico e literário do período barroco- árcade fundamenta o poema Casa dos Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética contemporânea revela que
a) a disposição visual do poema reflete sua dimensão plástica, que prevalece sobre a observação da realidade social.
b) a reflexão do eu lírico privilegia a memória e resgata, em fragmentos, fatos e personalidades da Inconfidência Mineira.
c) a palavra “esconso” (escondido) demonstra o desencanto do poeta com a utopia e sua opção por uma linguagem erudita.
d) o eu lírico pretende revitalizar os contrastes barrocos, gerando uma continuidade de procedimentos estéticos e literários.
e) o eu lírico recria, em seu momento histórico, numa linguagem de ruptura, o ambiente de opressão vivido pelos inconfidentes.

solução
O eu lírico se refere ao final do Período Colonial brasileiro, séc. XVIII. Dentro de um o contexto político-literário, em que havia resistência entre os escritores a Portugal, um exemplo disso foi Cláudio Manuel da Costa.

A forma pouco convencional, com símbolo comercial, e a quebra de palavras são alguns dos elementos poéticos da contemporaneidade.

Letra E


ENEM 2014  Questão  111

Quando Deus redimiu da tirania
Da mão do Faraó endurecido
O Povo Hebreu amado, e esclarecido,
Páscoa ficou da redenção o dia.
Páscoa de flores, dia de alegria
Àquele povo foi tão afligido
O dia, em que por Deus foi redimido;
Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia.
Pois mandado pela Alta Majestade
Nos remiu de tão triste cativeiro,
Nos livrou de tão vil calamidade.
Quem pode ser senão um verdadeiro
Deus, que veio estirpar desta cidade
o Faraó do povo brasileiro.
 
(DAMASCENO,  D. Melhores  poemas: Gregório de  Matos. São Paulo: 2006)
Com uma  elaboração de   linguagem e uma visão  de  mundo  que  apresentam  princípios barrocos, o   soneto de  Gregório de  Matos apresenta  temática expressa  por
 
(A) visão cética  sobre as relações  sociais.
(B) preocupação com  a identidade  brasileira.
(C) crítica  velada à forma de governo  vigente.
(D) reflexão sobre dogmas do  Cristianismo.
(E) questionamento das  práticas  pagãs  na Bahia.
 
Gabarito oficial: C
Competência de área 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 – Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
Comentário:
O  texto de  Gregório de  Matos  apresenta uma intertextualidade clara com  as  Sagradas Escrituras. Para  resolver  a  questão, o  candidato  deve recordar as  características  da poética  daquele escritor. O  poeta  barroco  utilizava  sua   literatura como meio de criticar a  sociedade de sua  época, ainda  que o   fizesse  por  meio de  metáforas, como  ocorre no texto acima.
 
 
ENEM 2012 Questão 131
 
BARDI, P. M. Em torno da escultura no Brasil. São Paulo: Banco Sudameris Brasil, 1989. (Foto: Reprodução/Enem)


Com contornos assimétricos, riqueza de detalhes nas vestes e nas feições, a escultura barroca no Brasil tem forte influência do rococó europeu e está representada aqui por um dos profetas do pátio do Santuário do Bom Jesus de Matosinho, em Congonhas (MG), esculpido em pedra-sabão por Aleijadinho. Profundamente religiosa, sua obra revela:

A) liberdade, representando a vida de mineiros à procura da salvação.
 
   B) credibilidade, atendendo a encomendas dos nobres de Minas Gerais.
             C) simplicidade, demonstrando compromisso com a contemplação do divino.

      D) personalidade, modelando uma imagem sacra com feições populares.

        E)singularidade, esculpindo personalidades do reinado nas obras divinas.

resolução

As esculturas barrocas no Brasil têm forte influência do rococó europeu. As obras sacras de Aleijadinho distinguem-se das demais por apresentar características particulares das esculturas inspiradas nas pessoas do povo. Letra D.


 
 
Disponível em:
Acesso em: 21 de Outubro de 2016
 


 
 
Alunos: Jhonata Schelck
             Jean Carlos
             Matheus Ribeiro
 
Turma: C 
 
 
 
 
 
 

domingo, 16 de outubro de 2016

Movimento Literário Barroco: Literatura, Arte, Pinturas, Esculturas, Arquitetura e História Barroca

 
 
*História:



O movimento Barroco teve seu início na Itália, ao final do
século XVI e início do século XVIII. A partir daí, se difundiu pelos países da Europa e chegou até as colônias, como, por exemplo, o Brasil. A palavra 'barroco', de origem portuguesa, significa uma pedra preciosa imperfeita, com os seus formatos irregulares. O Barroco é uma manifestação literária.

*A seguir, veremos dois vídeos que falam um pouco do surgimento do Movimento Barroco e explicando resumidamente o contexto político, social e econômico em que surgiu:







*Literatura: 

*O vídeo a seguir, é um hit musical para relembrar as principais características dos principais autores do Movimento Literário Barroco: Padre Antônio Vieira e Gregório de Matos Guerra.





*Arte e Arquitetura:

A arte barroca surgiu em meados do século XVIII, na Itália. A igreja católica adotou o formato artístico em suas construções e propagou a nova onda cultural por vários países do continente europeu. O movimento foi criado após o desenvolvimento do Renascimento e ambos seguiam uma ideologia semelhante, em que valorizavam elementos da antiguidade.

O mundo passava por diversas descobertas e reformas sociais e políticas. A religião católica estava perdendo muitos membros para os seguidores da ideologia de Martin Lutero, com o protestantismo. Estabelecia-se, então, a Monarquia: o país era comandado por um rei ou imperador.
As obras do movimento Barroco apresentam características fortes e vivas, o que mexe com o emocional do ser humano. Ao se deparar com as construções e/ou pinturas da arte barroca, é possível observar os detalhes e a proximidade que elas têm com os seres humanos. O sentimento nas obras, a beleza, eram características bem fortes.
O Barroco chegou ao continente americano, juntamente com os colonizadores europeus. Muitas das construções dos países da América são da arte barroca. O Brasil, por exemplo, possui algumas cidades onde ainda existem essas edificações, como é o caso de Ouro Preto, em Minas Gerais. No estado da Bahia, encontram-se enormes igrejas, dos séculos passados e a influência da arte barroca se faz presente.

*Veja algumas obras arquitetônicas do Barroco Mineiro, Carioca e Baiano:
São Francisco e Nossa Senhora do Carmo, Mariana 

 





*Vídeo mostrando as obras de Aleijadinho e Ataíde, mestres da Arte Barroca:



 



*Esculturas e Pinturas Barrocas:

.Esculturas do Artista Aleijadinho
Aleijadinho: Cristo no horto das Oliveiras, Congonhas
Altar-mor da Igreja de São Francisco, São João del-Rei






          Cristo carregando a cruz

Manoel da Costa Ataíde: Nossa Senhora rodeada de anjos músicos. Forro da Igreja de São Francisco, Ouro Preto
 
Acesso: 17 de Outubro de 2016


Aluno: Jhonata Schelck da Silva Souza - Turma C

sábado, 15 de outubro de 2016

Movimento Literário Barroco: Texto 7 - Sermão de São Roque de Padre Antônio Vieira

*O Sermão:

(...)
    Sendo, pois, o desejo de mandar no homem não só soberania da natureza no seu primeiro estado, como em Adão, mas reparo e alívio do segundo, como em Eva, e, nascendo o mesmo desejo, antes, sendo gerado conosco, como em Jacó e Esaú, por que não quer mandar S. Roque? O mesmo entendimento e alto juízo, com que não quis servir, o obrigava a que quisesse mandar, porque é primeiro princípio da política natural, como ensina Aristóteles, que aos mais bem entendidos pertence o mandar, como aos que menos entendem o servir. Logo, contra todos estes ditames da natureza e da razão parece que obrou S. Roque, em demitir de si o mando e governo dos súditos, de que o nascimento o fizera herdeiro, e o entendimento senhor. O não querer servir a homens, seja embora prudente resolução, pelos motivos que apontamos; mas o não querer mandar homens, e tais homens, que fundamentos podia ter bastantes, não digo já, que aprovem uma tão extraordinária ação, mas que racionalmente a não estranhem, e ainda condenem? Bem creio que não ocorrerão facilmente as razões à ambição e apetite cego com que se governa o mundo, por isso tão mal governado. Respondo, porém, e digo que, se S. Roque teve grandes razões para não servir a homens, as mesmas, e muito maiores, teve para não querer mandar homens. E por quê? Porque maior servidão é o mandá-los que o servi-los.
    (...)


Fonte: http://clbarroca.webnode.com.br/padre-antonio-vieira/serm%C3%A3o%20de%20s%C3%A3o%20roque/  -  Acesso em 15 de Outubro de 2016


*A Análise:

Padre Antônio Vieira é responsável pelo desenvolvimento da prosa no período barroco, e é muito conhecido por seus Sermões que causaram grandes polêmicas em sua época. O Sermão de São Roque é um discurso que Padre Antônio Vieira fez, que foi pregado em Salvaterra, em 1659. Padre Antônio Vieira desenvolveu um argumento original para mostrar que o Rei poderia utilizar os dinheiros dos comerciantes judeus, e frisou na festa de São Roque, na Capela Real, " Não houve no mundo dinheiro mais sacrílego do que aqueles trinta dinheiros porque Judas vendeu Cristo.". No texto Padre Antônio Vieira diz uma fala muito importante, que o ato de mandar e servir é natural, mas cabe aos mais conhecedores mandar, e os mais ignorantes servir.


Aluno: Matheus Ribeiro - Turma C

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Movimento Literário Barroco: Texto 6 - À Cidade da Bahia de Gregório de Matos Guerra

*O Texto:

Triste Bahia! oh, quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado,
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mim abundante.


A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.


Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.


Oh, se quisera Deus que, de repente,
Um dia amanheceras tão sizuda
Que fora de algodão o teu capote!


Fonte: http://www.academia.org.br/academicos/gregorio-de-matos/textos-escolhidos [Fragmentado] - Acesso em 09 de Outubro de 2016


*A Análise:

Na poesia, A cidade da Bahia, o autor Gregório de Matos retrata a sociedade brasileira a partir de uma produção satírica. Começando pela cidade da Bahia. É a partir desse tipo de poesia que Gregório de Matos sai dos padrões linguísticos do barroco visto nas outras poesias, assim empregando palavrões ou expressões populares como "gírias". Uma importante informação e que nessa época a cidade da Bahia foi devastada por uma cólera, conhecida de ''peste", matando grande quantidade das pessoas. Na primeira estrofe da poesia o eu-lírico percebe uma transformação ocorridas no estado fazendo um discurso de lamentação, tristeza, angústia, etc. Já na segunda estrofe se vé o homem é sua terra natal como moeda de troca, exemplo" A ti trocou-te.

Aluno: Jean Carlos Félix - Turma C

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Movimento Literário Barroco: Texto 5 - Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda (1640) de Padre Antônio Vieira

*O Sermão:

Se acaso for assim — o que vós não permitais — e está determinado em vosso secreto juízo, que entrem os hereges na Bahia, o que só vos represento humildemente, e muito deveras, é que, antes da execução da sentença, repareis bem, Senhor, no que vos pode suceder depois, e que o consulteis com vosso coração enquanto é tempo, porque melhor será arrepender agora, que quando o mal passado não tenha remédio. Bem estais na intenção e alusão com que digo isto, e na razão, fundada em vós mesmo, que tenho para o dizer. Também antes do dilúvio estáveis vós mui colérico e irado contra os homens, e por mais que Noé orava em todos aqueles cem anos, nunca houve remédio para que se aplacasse vossa ira. Romperam-se enfim as cataratas do céu, cresceu o mar até os cumes dos montes, alagou-se o mundo todo: já estaria satisfeita vossa justiça, senão quando ao terceiro dia começaram a boiar os corpos mortos, e a surgir e aparecer em multidão infinita aquelas figuras pálidas, e então se representou sobre as ondas a mais triste e funesta tragédia que nunca viram os anjos, que homens que a vissem, não os havia.

Fonte: http://www.soliteratura.com.br/barroco/barroco06.php [Fragmentado] - Acesso em 05 de Outubro de 2016


*A Análise:

O sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda do padre Antônio Vieira assim como os outros texto do período da literatura barroca tem como marca o conceptismo, que seria caracterizado pelo logicismo e agudeza do pensamento, concisão, uso intensivo de conceitos e imagens de persuasão racional. Formalmente os sermões são divididos em três partes: Introito ou Exórdio: a apresentação, introdução do assunto. Desenvolvimento ou argumento: defesa de uma ideia com base na argumentação. Peroração: parte final, conclusão. Neste sermão observamos tanto interesses políticos quanto religiosos. Mostra o período do ciclo da cana-de-açúcar no Brasil, marcado pelas invasões holandesas e conflitos religiosos, já que a coroa portuguesas defendia o catolicismo e a Holanda o protestantismo .Neste sermão, o padre incita os seguidores a reagir contra as invasões Holandesas. Alegavam que a presença dos protestantes na colônia resultaria em uma série de depredações à colônia.


Aluna: Tayná Couto - Turma C

domingo, 2 de outubro de 2016

Movimento Literário Barroco: Texto 4 - A Jesus Cristo Nosso Senhor de Gregório de Matos Guerra

*O Texto:

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado Da vossa piedade me despido, Porque quanto mais tenho delinqüido, Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada; Cobrai-me; e não queirais, Pastor Divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Fonte: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/gregorio-de-matos-poemas [Fragmentado] - Acesso em 02 de Outubro de 2016


*A Análise:


Gregório de Matos, nesse poema, faz uma admissão de seus pecados em um diálogo com Deus, assumindo as consequências de seus erros e pecados cometidos, mas ao mesmo tempo podemos observar que o autor se declara arrependido e clama pela misericórdia de Deus, que Deus o perdoe com sua luz que seria o caminho de sua salvação. Podemos destacar também a linguagem usada na época, que é diferente da linguagem utilizada pelos autores de hoje.
 

 
Aluno: Marcos Paulo - Turma C

 

 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Movimento Literário Barroco: Texto 3 - Sermão de Santo Antônio aos Peixes de Padre Antônio Vieira

*O Sermão:

Vos diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos  nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? (...) Enfim, que havemos de pregar hoje aos peixes? Nunca pior auditório. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam. Uma só cousa pudera desconsolar o Pregador, que é serem gente os peixes que se não há-de converter. Mas esta dor é tão ordinária, que já pelo costume quase se não sente (...) Suposto isto, para que procedamos com clareza, dividirei, peixes, o vosso sermão em dois pontos: no primeiro louvar-vos-ei as vossas atitudes, no segundo repreender-vos-ei os vossos vícios. (...)

Fonte: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/s/sermao_de_santo_antonio_aos_peixes [Fragmentado] - Acesso em 30 de Setembro de 2016

 
*A Análise:
 
 
Um dos sermões de Padre Antônio Vieira é o Sermão de Santo Antônio que foi criado no ano de 1654. Essa obra é considerada uma alegoria. Nesse sermão são encontradas muitas figuras de linguagem. Ele também critica a prepotência dos grandes, que, como peixes, vivem do sacrifício de muitos pequenos, os quais "engolem" e "devoram". O alvo são os colonos do Maranhão, que no Brasil são grandes, mas em Portugal "acham outros maiores que os comam, também a eles".

Aluno: João Victor Menegatti - Turma C 

 

sábado, 24 de setembro de 2016

Movimento Literário Barroco: Texto 2 - Efeitos Contrários do Amor de Gregório de Matos Guerra

*A Poesia:

Ó que cansado trago o sofrimento
Ó que injusta pensão da humana vida,
Que dando-me o tormento sem medida,
Me encurta o desafogo de um contento!

Nasceu para oficina do tormento
Minha alma, a seus desgostos tão unida,
Que por manter-se em posse de afligida
Me concede os pesares de alimento.

Em mim não são as lágrimas bastantes
Contra incêndios, que ardentes me maltratam,
Nem estes contra aqueles são possantes:

Contrários contra mim em paz se tratam,
E estão em ódio meu tão conspirantes,
Que só por me matarem não se matam.


Fonte: http://www.academia.org.br/academicos/gregorio-de-matos/textos-escolhidos [Fragmentado] - Acesso em 24 de Setembro de 2016

*A Análise:

Gregório de Matos Guerra, um poeta que escreveu grandes obras compreendidas por: poesia lírica, sacra, satírica e erótica. Na poesia "Efeitos Contrários do Amor", podemos notar claramente um tipo de poesia lírica. Nesta mesma poesia é interessante perceber que o próprio título resume a poesia em si, no qual se fala dos efeitos de se amar alguém, efeitos contrários do realmente esperado. "Ó que cansado trago o sofrimento" - Já no início da poesia podemos perceber o grande sofrimento do eu-lírico, implicitamente mostra-se apaixonado por alguém ou estava recordando do seu possível passado triste em relação da sua paixão. Em nenhum momento a palavra amor (Palavra amor com sua essência real do esperado) aparece, deixando ainda mais claro o quão crítico está a situação do mesmo. Só encontramos desgraça, desamor e dor na composição da poesia. Importantíssimo destacar a linguagem predominante, especialmente no início deste movimento literário barroco, um movimento muito importante para o contexto da literatura. Lembrando que Gregório de Matos vivia em um período da proibição da liberdade de expressão principalmente por meios comunicativos e jornalísticos, o que dificultara mais ainda mais pela suas obras que escrevia estando sujeito a punições da época por desacato. Retomando a análise sobre a poesia, lendo e observando a poesia em si, é notável que o eu-lírico sofre por um amor não correspondido, explicando assim o porque de tanto sofrimento, dor e seu desamor, obviamente tudo em consequência desta não correspondência. Interessante como se destaca valores históricos, sociais e culturais em virtude deste amor desenfreado dos homens pelas suas paixões, paixões estas geralmente não correspondidas, e como resultado final, podemos relembrar o próprio título desta mesma poesia, "Efeitos Contrários do Amor"- de tanto amar e não ter a devida correspondência, o eu-lírico (apaixonado) acaba descobrindo um outro lado desse amor, um lado mais obscuro, dolorido e contrário do que realmente o mesmo achara do que era o amor verdadeiro.

Aluno: Jhonata Schelck da Silva Souza - Turma C

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Movimento Literário Barroco: Texto 1 - Sermão da Sexágésima (1655) de Padre Antônio Vieira

*O Sermão:

Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que "saiu o pregador evangélico a semear" a palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus ão só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. (...) Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit seminare. (...) Ora, suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender a falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus? (...)

Fonte: http://www.soliteratura.com.br/barroco/barroco06.php [Fragmentado] - Acesso em 22 de Setembro de 2016

*A Análise:

Padre Antônio Vieira é responsável pelo desenvolvimento da prosa no período do barroco , e também muitíssimo conhecido por seus sermões que causaram grandes polêmicas em sua época . Neste sermões ele se importava em criticar diversos "problemas" em seu tempo , como a falta de compromisso dos pregadores em seu dever de catequizar e evangelizar . E também nestes defendiam os índios e sua evangelização . Um dos principais exemplos dos tantos sermões feitos por ele é o "sermão da sexagésima " de 1665 . Este é dividido em dez partes e trata da arte de pregar . Neste trecho do sermão podemos perceber a forte opinião do padre , ele se posiciona mostrando a importância de semear a palavra de Deus , e mais importante ainda é a maneira em que o pregador passa a palavra . Pois ele diz que se a palavra não gerar resultado a culpa é única e exclusiva do encarregado . O padre era muito preocupado em deixar bem claro o que queria passar , era direto em seus sermões e privilegiava a retórica.


Aluno: Mateus Silva Mota - Turma C

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Movimento Literário Barroco: A biografia e as obras dos principais Autores do Período.


*Biografia do Autor Gregório de Matos Guerra:




Gregório de Matos Guerra nasceu na então capital do Brasil, Salvador, BA, em 20 de dezembro de 1636, numa época de grande efervescência social, e faleceu no Recife, PE, pelas mais recentes pesquisas, em 1695, embora a data tradicionalmente aceita fosse a de 1696.  Como poeta de inesgotável fonte satírica não poupava ao governo, à falsa nobreza da terra e nem mesmo ao clero. Não lhe escaparam os padres corruptos, os reinóis e degredados, os mulatos e emboabas, os “caramurus”, os arrivistas e novos-ricos, toda uma burguesia improvisada e inautêntica, exploradora da colônia. Perigoso e mordaz, apelidaram-no de “O Boca do Inferno”. Foi o primeiro poeta a cantar o elemento brasileiro, o tipo local, produto do meio geográfico e social. Influenciado pelos mestres espanhóis da Época de Ouro, Góngora, Gracián, Calderón e sobretudo Quevedo, sua poesia é a maior expressão do Barroco literário brasileiro. Sua obra compreende: poesia lírica, sacra, satírica e erótica. 




*Algumas de suas Obras:

.A OUTRA FEIRA, QUE SATIRIZANDO A DELGADA FISIONOMIA DO POETA LHE CHAMOU PICA-FLOR;
.POR CONSOANTES QUE ME DERAM FORÇADOS;
.À DESPEDIDA DO MAU GOVERNO QUE FEZ O GOVERNADOR DA BAHIA.


*Biografia do Autor Padre Antônio Vieira:

Padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa, em 1608, e morreu na Bahia, em 1697. Com sete anos de idade, veio para o Brasil e entrou para a Companhia de Jesus. Por defender posições favoráveis aos índios e aos judeus, foi condenado à prisão pela Inquisição, onde ficou por dois anos. Responsável pelo desenvolvimento da prosa no período do barroco, Padre Antônio Vieira é conhecido por seus sermões polêmicos em que critica, entre outras coisas, o despotismo dos colonos portugueses, a influencia negativa que o Protestantismo exerceria na colônia, os pregadores que não cumpriam com seu ofício de catequizar e evangelizar (seus adversários católicos) e a própria Inquisição. Além disso, defendia os índios e sua evangelização, condenando os horrores vivenciados por eles nas mãos de colonos e os cristãos-novos (judeus convertidos ao Catolicismo) que aqui se instalaram. Famoso por seus sermões, padre Antônio Vieira também se dedicou a escrever cartas e profecias.

*Algumas de suas Obras: 


.Sermão da Sexágésima (1655);

.Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda (1640);
.Sermão de Santo Antônio (1654).

Fontes:

*http://www.academia.org.br/academicos/gregorio-de-matos [Fragmentado] - Acesso em 20 de Setembro de 2016

*http://www.soliteratura.com.br/barroco/barroco06.php [Fragmentado] - Acesso em 20 de Setembro de 2016

Aluno: Jhonata Schelck da Silva Souza - Turma C